Capítulo I – ""... do passado dia da "gente dos Chpigúlin"".


...São Paulo, virada do Milênio... ## Céu Estrelado ##

Durante novembro e dezembro de 2000 a cidade de São Paulo passou por uma série de eventos catastróficos, incêndios e terríveis acidentes de transito, somados a um gradativo aumento da violência e vandalismo em geral. Grandes inundações advindas de chuvas torrenciais inundaram áreas que nunca tinham sofrido com isso antes.


Segundo análises dos despertos da cidade, a maioria destes eventos teve sua origem no lapso temporal que ocorreu na zona central de São Paulo, expandindo-se para as cidades próximas. Os membros dos cultistas (Culto do Êxtase) aliados aos herméticos (Ordem de Hermes) com ajuda dos adeptos (Adeptos da Virtualidade) alcançaram a fonte do problema – um antigo e forte grupo de nefandi havia realizado um ritual uma semana na frente do surgimento do lapso de tal magnitude que ocasionou um grande distúrbio no espaço-tempo.


Um grupo cultista, liderados pelos membros da Sociedade de Pan, Nabuco e Júlia, e pelo professor hermético Fortunae Hermógenes, conseguiu evitar os planos nefandi na capela eutanatoi (Eutanatos) em São Bernardo do Campo, entretanto diversas conseqüências surgiram deste evento. A aliança momentânea despertou intrigas e feridas antigas entre os herméticos e os eutanatos e foi responsável pela criação na cidade de uma cabala para manter um controle sob o movimento dos despertos e maior coordenação e comunicação entre as tradições: Cabala Paulistana de Iluminação e Segurança, CAPAÍLUSE.

Entretanto, houveram baixas entre as forças das Tradições Místicas, um mestre akasha (Irmandade de Akasha), Manu, um jovem cultista, Irã Lorenzo dos coristas (Coro Celestial). Além disso, Hermógenes ficou seriamente ferido, impossibilitado assim de continuar com seu posto na capela hermética de Campinas. A Capela dos cultistas da Sociedade de Pan, na Rua Augusta, foi seriamente afetada pelas forças nefandi, suas bases e ressonâncias foram intensamente transformadas. Ainda, um envolvimento com amaldiçoados (vampiros) trouxe preocupações, já que a partir de então eles ficaram conscientes da existência de despertos das imediações da Avenida Paulista. Muitos vazios do interior desapareceram como conseqüência dessa intriga com os amaldiçoados, enquanto isso, aqueles que residiam na capital acabaram se aproximando das tradições graças à influência de Júlia e Nabuco. Outra considerável perda foi o desaparecimento do único grupo de oradores (Oradores dos Sonhos) na cidade com grande parte de seus aliados garou (lobisomens).


As consequências desses distúrbios levou a que as Tradições passassem por uma reconstrução de suas bases e se questionaram sobre o que realmente ocorreu, muito mistério ainda pairava sobre os acontecimentos. Mesmo assim, janeiro e fevereiro foram meses de conflito por parte dos adeptos e principalmente, dos garou, já que enquanto os primeiros esforçaram-se para se livrar dos diversos vírus tecnocratas infiltrados em seus sistemas (devido à presença dos mesmos na contenção da área de efeito do fenômeno). Os garou tiveram que se esforçar para limpar o mundo espiritual das invasões resultantes dos buracos umbrais gerados pelo distúrbio temporal.

O evento mais angustiante do primeiro semestre foram as contínuas previsões, sinais e percepções entre as tradições. As visões de Júlia da Sociedade de Pan, e análises de Hermógenes entre os herméticos da casa Fortunae, e as observações de mestre Oshem dos akashas. Embora todos estivessem com seus problemas particulares para resolver uma pequena investigação conjunta levou a conclusões desesperadoras: Três prováveis ramos interpretativos foram encontrados, sendo que em dois deles as Tradições perderiam em muito a sua influência na cidade devido ao retorno da força tecnocrática do eixo de Brasília.

Segundo Júlia, em suas percepções do Princípio do Êxtase os três ramos se configuravam com a seguinte rota:

*Uma corrente menor, de grande fluxo do ciclo kármico em sua faceta mais entrópica significaria um extermínio em massa, indiscriminado e fatal.

*A corrente mais forte era a do equilíbrio entre a ressonância entrópica do ciclo kármico e o padrão estático representada no poder tecnocrata, simulando o próprio equilíbrio, era a melhor solução, com recuperação eminente das possíveis tragédias.

* Já a terceira corrente, embora não tão destrutiva como a primeira, era a mais preocupante, pois encarava a força estática como central e poderosa o suficiente para impedir o ciclo kármico correto, enfim, representada na impossibilidade total do retorno ao equilíbrio perdido, pelo menos, não de forma visível no horizonte.

Essa última corrente é a chave que Hermógenes interpretou como um retorno do poder tecnocrática sobre o Brasil, ou pelo menos em São Paulo, com grande força. Já Oshem, observou que a primeira corrente era a mais imprevisível e inaccessível. Assim, de acordo com cada interpretação os mestres e lideres entre as tradições aliadas em São Paulo resolveram tomar uma iniciativa.


... Continua...



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História dos despertos - Introdução


São Paulo é palco de confusas e estranhas alianças entre despertos que convivem com a intensa presença dos amaldiçoados (vampiros). Pactos e reciprocidades entre as facetas das tradições místicas na cidade ganharam algum corpo somente após a virada do milênio. Embora isso seja, em parte, um reflexo do terrível regime militar que permitiu um avanço expressivo da tecnocracia, desde a chegada dos primeiros representantes das tradições no Brasil (sob seu aspecto predominantemente europeu) uma união sólida nunca existiu.



A vinda da família real portuguesa trouxe consigo os primeiros grupos de despertos que adotaram o Brasil como residência fixa. Muitos artífices maçons que procuravam uma rota de fuga da crescente pressão da ordem da razão conquistaram no Brasil independente uma autonomia relevante. Outros, sobretudo herméticos, atravessaram o atlântico acreditando que aquela era a chance para manter suas práticas sem o julgamento e punição dos olhos da Europa.



O século XIX foi marcado pelo prolixo e conflituoso convívio de seres sobrenaturais nas ruas de São Paulo, naquele momento uma pequena e periférica cidade do recente Império do Brasil. A grande presença de licantropos na região não intimidou a presença dos amaldiçoados, que logo impuseram seu domínio no perímetro urbano. Os despertos nunca mantiveram um número relevante na região até as décadas finais do século. Até então, o prelúdio de uma guerra estava se desenhando para os anos que viriam.



O crescimento abusivo da cidade, consumindo todos os recursos naturais e conquistando áreas rurais até então mantidas sob proteção dos licantropos fez com que São Paulo, nas primeiras décadas do século XX, se tornasse um campo de batalhas. A ordem da razão, auxiliada pelo crescente poder dos amaldiçoados, via caminho para tecer suas teias, enquanto poucos herméticos trancavam-se em seus santuários, percebendo então que a sua tranquilidade se diluía rapidamente. O avanço tecnocrático sob a cidade só não se impôs de forma incisiva e agressiva, devido sua necessidade de eliminar os focos nefandi, e inúmeros grupos de feiticeiros, em número graúdo até então.



A marcada corrente migratória do começo do século trouxe consigo mais do que mão-de-obra para o cenário paulista, grupos de despertos organizados em núcleos de imigrantes começaram a se organizar, timidamente no começo, mas ganhariam força nas décadas seguintes. Entretanto, esse número não representou um obstáculo para as atuantes forças tecnocratas, resultado direto da crescente influência dos Estados Unidos que, ao mesmo tempo, resultou e contou com o aparato do golpe militar de 1964.



Não foi a toa que as tradições começaram a unir suas forças, parcialmente, a partir da década de 60, ação nomeadamente incentivada pelos integrantes do êxtase (Culto do Êxtase). Assim, herméticos e akashas, em maior número na cidade, começavam a conversar mediados pelos carismáticos membros do culto. Ainda, arranjaram uma pequena aliança sobrenatural graças aos desconfiados oradores.



Mesmo com essa “união” em torno dos membros do êxtase o aparelho repressivo militar ao lado da tecnocracia somente foi rivalizado com a ação popular, aliada, aos novos coligados encontrados nas fileiras tecnocratas, os adeptos, essências no desmantelamento da rede de informação dos agentes do sindicato e na exposição dos projetos ilícitos dos progenitores.



Com o fim do regime militar na década de 80 a tecnocracia perdeu consideravelmente sua força no Brasil, fazendo com que as tradições se voltassem para suas práticas particulares, deixando de lado a frágil união até então conquistada. A década seguinte foi de um crescimento da desconfiança entre as tradições, com conflitos localizados entre herméticos e eutanatos, e internamente entre os akashas.



A tecnocracia se isolou nos institutos de pesquisa, contudo, sua força não extrapolava uma grande influência responsável por direcionar e organizar estudos em busca de mais membros para suas fileiras, já que agentes despertos nunca foram em grande número. O sindicato manteve-se como a convenção mais marcante em São Paulo, perdendo sua força em Brasília para a nova ordem, e no Rio de Janeiro para os progenitores.

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Regras - Adaptações para o novo sistema: Parte 1

Embora as regras da nova versão do sistema Storyteller (agora Storytelling - vale destacar que são outros jogos, não pretendendo fazer qualquer conexão com o antigo cenário) sejam mais dinâmicas, as transformações profundas em alguns cenários - principalmente o de Mago - fizeram com que eu recusasse a idéia de adotar completamente o sistema de regras, contudo, parte delas é extremamente útil para evitar um prolongamento desnecessário das partidas durante ações de combate, e outras ocasiões.

Uma das grandes mudanças dessa versão é a fusão das paradas de ataque e dano. No antigo sistema o personagem tinha que testar o ataque, e depois jogava os dados de dano, e ainda havia chance de uma possível absorção para o defensor utilizando-se de seu valor de vigor quando possível. Para compensar a eliminação desse sistema de absorção de dados, o defensor tem um número fixo de defesa, geralmente o valor de sua destreza ou raciocínio (o menor) que é usado para subtrair dados do oponente em alguns casos.

Um exemplo para esclarecer:
José, um policial militar percebe que está sendo seguindo por um “meliante” que ele havia baleado e prendido meses atrás, Assustado com a possibilidade de que o jovem esteja querendo vingança ele saca seu velho 38 e atira na sua direção. Sua arma adiciona +1 em sua parada de dados de 4 dados (destreza 2 + armas de fogo 2), totalizando 5. Ele conquista dois sucessos (8, 8, 5, 6, 7), causando dois pontos de dano letal no seu alvo. Como fica claro nesse exemplo a dificuldade padrão agora é oito, e testes que não envolvam combate geralmente são realizados com apenas um sucesso (diferente dos três necessários no sistema anterior).

Os modificadores ainda estão presentes – se estivesse chovendo muito, ou seu alvo estivesse a uma grande distância, José perderia mais dados de sua parada, mas não teria sua dificuldade aumentada (como acontecia anteriormente). Se essa redução levar a parada de dados do personagem a zero dados, ele ainda pode tentar o teste de sorte – nesse, com apenas um dado ele precisa de um 10 para ter sucesso, contudo, se ele tirar um 1 ele sofre uma falha dramática (antiga falha crítica) – é somente nesse caso que em que ela ocorre (o 1 não cancela sucessos como acontecia). Se o combate tivesse ocorrido corpo-a-corpo, ou com armas brancas, o alvo de Josué poderia utilizar sua defesa (destreza ou raciocínio, o menor) para subtrair dados do ataque do oponente. O ataque aconteceria usando o valor da força somada a briga de Josué, menos a defesa do alvo.

Note que a defesa do alvo não é automática, ele deve querer evitar o ataque para que possa ser usado para subtrair os dados, logo, ele deve estar consciente de que está sendo atacado. Ataques a distância, geralmente, não podem sofrer redução de dados pela defesa do alvo, contudo, se o “meliante” tivesse tido a iniciativa (agora joga-se um dado e se adiciona o valor da destreza e do auto-controle) ele poderia se esconder atrás de um poste, ou embaixo de um carro, respectivamente um e dois dados de cobertura. Valores que seriam subtraídos do valor total do ataque de seu oponente.

Para terminar vale a pena explorar dois aspectos relevantes que também adotei das novas regras, o sistema de explosão do 10 e o de êxito excepcional, No primeiro a cada 10 tirados nos dados, o jogador pode jogar outro dado logo em seguida, e assim por diante, enquanto conseguir manter sua sorte com seguintes 10. Já a regra de êxito excepcional atribui um efeito de gratificação adicional (algo importante e benéfico ocorre) no teste que esta sendo realizado quando o jogador consegue cinco ou mais sucessos.

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